No âmago do movimento da confissão positiva se encontra um conceito distorcido de fé. Entender esse ponto é essencial para compreensão de outros pontos doutrinários do movimento. Não é à toa que este movimento também é denominado movimento da Fé - com "f" maiúsculo mesmo e de modo preciso, como perceberemos.
Esclareço previamente que nesse ponto não falamos de fé nos referindo a um sistema de crenças ou aos conteúdos doutrinários do Cristianismo, mas da fé no sentido simples de confiança ou "ato" de crer; ou nos termos da própria Escritura: "Ora, a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam, e a prova das coisas que se não vêem" (Hebreus 11:1 - ARC). Bem, é justamente aí que começam grandes problemas na teologia desse movimento.
Entre os proponentes da corrente é comum o entendimento de que a fé é uma força no sentido literal; uma força tangível como a força da gravidade. Desse modo, como a força da gravidade faz a lei da gravidade funcionar, assim a força da fé faz funcionar as leis do mundo espiritual. Para eles, a nossa vida é como uma bateria que tem um polo positivo (a fé) e um negativo (o medo). A fé ativa Deus e o medo ativa Satanás. Qualquer semelhança com o conceito oriental de yin-yang pode não ser mera coincidência. No mínimo, é uma versão moderna para o velho dualismo - "a crença de que, na raiz de todas as coisas, há duas forças iguais e independentes, uma delas boa, a outra má. O universo é o campo de batalha no qual travam uma guerra sem fim"¹.
Tal conceito de fé alcança um nível ainda mais estranho ao cristianismo bíblico e histórico quando afirma, como o fez Kenneth Copeland, que "Deus não pode fazer qualquer à parte ou separado da fé", porquanto a "fé é a origem do poder de Deus"². Até mesmo o mundo “nasceu da força da fé, que residia dentro do ser de Deus”². Em suma, até Deus tem fé e depende da fé. Nessa linha, o chamado de Kenneth Hagin para os crentes é Having Faith in Your Faith (Tenha Fé em Sua Fé) - título de um de seus livretes. Podemos concluir que, dentro da teologia do movimento, Deus torna-se mero instrumento da fé.
Entre os proponentes da corrente é comum o entendimento de que a fé é uma força no sentido literal; uma força tangível como a força da gravidade. Desse modo, como a força da gravidade faz a lei da gravidade funcionar, assim a força da fé faz funcionar as leis do mundo espiritual. Para eles, a nossa vida é como uma bateria que tem um polo positivo (a fé) e um negativo (o medo). A fé ativa Deus e o medo ativa Satanás. Qualquer semelhança com o conceito oriental de yin-yang pode não ser mera coincidência. No mínimo, é uma versão moderna para o velho dualismo - "a crença de que, na raiz de todas as coisas, há duas forças iguais e independentes, uma delas boa, a outra má. O universo é o campo de batalha no qual travam uma guerra sem fim"¹.
Tal conceito de fé alcança um nível ainda mais estranho ao cristianismo bíblico e histórico quando afirma, como o fez Kenneth Copeland, que "Deus não pode fazer qualquer à parte ou separado da fé", porquanto a "fé é a origem do poder de Deus"². Até mesmo o mundo “nasceu da força da fé, que residia dentro do ser de Deus”². Em suma, até Deus tem fé e depende da fé. Nessa linha, o chamado de Kenneth Hagin para os crentes é Having Faith in Your Faith (Tenha Fé em Sua Fé) - título de um de seus livretes. Podemos concluir que, dentro da teologia do movimento, Deus torna-se mero instrumento da fé.
O que seria então a fé numa visão genuinamente bíblica e cristã? Longe de um conceito sofisticado de uma força mística, impessoal, capaz de subjugar o próprio Deus, a resposta é simples:
A fé é um canal de confiança viva — uma “certeza” que se estende do homem até Deus. A verdadeira fé bíblica só pode ser boa quanto seja bom o objeto sobre o qual é posta. Assim, a verdadeira fé bíblica é a fé em Deus, ao contrário da fé na substância (ou “fé na fé”, conforme Hagin coloca) [HANEGRAAFF, pp 76 e 77].
Como podemos perceber, a fé não é algo independente, que existe por si mesmo; a fé existe ou acontece, necessariamente, repousada sobre algo ou alguém - que é o objeto da fé. Se a nossa fé não estiver em Deus, ela estará em alguma outra coisa, o que resultaria em idolatria. Desse modo, podemos concluir que ter fé na fé não é ter realmente fé, mas sim idolatrar-se.
Se a fé é como a bíblia diz "a certeza daquilo que esperamos e a prova das coisas que não vemos" (Hb 11:1 - NVI), então não podemos dizer que Deus tem fé, já que Ele é Todo-Poderoso e não precisa esperar por nada e é Onisciente e Onividente - o Deus que tudo sabe e tudo vê! Como Hank explica em seu livro:
Se Deus tivesse de exercer fé, claro está que teria de depender dalguma coisa fora de si mesmo na qual pudesse firmar sua fé para obter conhecimento ou poder. E isso, óbvio, é antibíblico. A Bíblia retrata Deus como aquEle que vê e sabe tudo desde a eternidade, e que detém suprema e absoluta autoridade. Ele não precisa ter fé. [HANEGRAAFF, pp 99 e 100].
Os
propagadores do movimento da Fé costumam usar Marcos 11:22 para
justificar o ensino de que Deus tem fé, alegando que no original
grego o texto pode ser lido como “tende a
fé
de Deus”. No
entanto, a grande maioria dos estudiosos de gramática grega
concordam que o texto deve ser traduzido por “tende fé em Deus” - além disso, essa leitura é a que melhor se harmoniza com o que é apresentado em todo o restante da bíblia sobre Deus, sua natureza e seus atributos.
A fé que a bíblia nos ensina a ter está firmada em um único objeto - Deus -, mas não no sentido de crer que Ele fará, necessariamente, o que estamos pedindo ou "confessando", mas no sentido de crer que Ele nos ouve e que fará conforme a sua vontade; e que essa vontade é boa, perfeita e agradável (Rm 12:2) mesmo que não seja o que nós esperávamos.
Continua...
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1. LEWIS, C.S. Cristianismo Puro e Simples. Martins Fontes, 3ª Ed - 2009, p. 56.
2. HANEGRAAFF, Hank. Cristianismo em Crise. 1996, CPAD. 6ª impressão (2013), p. 72.
Continua...
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1. LEWIS, C.S. Cristianismo Puro e Simples. Martins Fontes, 3ª Ed - 2009, p. 56.
2. HANEGRAAFF, Hank. Cristianismo em Crise. 1996, CPAD. 6ª impressão (2013), p. 72.
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