Sim. É verdade! Em Hebreus 12:14 está escrito: Segui a paz com todos e a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor, (ARA). Creio que essa passagem da Escritura é muito conhecida dos evangélicos e de outros cristãos. No entanto, a abordagem mais comum e frequente desse trecho me parece ser bastante problemática em nosso meio. Me refiro ao fato de que através dele acabamos por ensinar direta ou indiretamente uma salvação pela santidade, o que não seria diferente de dizer: uma salvação pelas obras.
Ao invés de estimular o crente a viver para a glória de Deus, geralmente esse versículo é usado para chantagear o ouvinte a assumir um comportamento melhor - pois se não o fizer não verá a Deus, em última análise, não será salvo ou perderá sua salvação. Sem entrar no mérito da questão da doutrina da perseverança dos santos, é fácil perceber que tais discursos passam a tratar a salvação como recompensa/salário ao invés de um dom de Deus. Assim, contradizem o que diz a Escritura em Efésios 2: 8 e 9 cuja mensagem é corroborada em vários lugares da Bíblia (Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus. Não vem das obras, para que ninguém se glorie;).
Essa contradição, na verdade, tem como uma de suas causas a má compreensão das partes em questão: o versículo de Hebreus e a salvação pela graça. Comecemos, então, por este último ponto:
Ao invés de estimular o crente a viver para a glória de Deus, geralmente esse versículo é usado para chantagear o ouvinte a assumir um comportamento melhor - pois se não o fizer não verá a Deus, em última análise, não será salvo ou perderá sua salvação. Sem entrar no mérito da questão da doutrina da perseverança dos santos, é fácil perceber que tais discursos passam a tratar a salvação como recompensa/salário ao invés de um dom de Deus. Assim, contradizem o que diz a Escritura em Efésios 2: 8 e 9 cuja mensagem é corroborada em vários lugares da Bíblia (Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus. Não vem das obras, para que ninguém se glorie;).
Essa contradição, na verdade, tem como uma de suas causas a má compreensão das partes em questão: o versículo de Hebreus e a salvação pela graça. Comecemos, então, por este último ponto:
Um dos principais erros que podemos cometer ao abraçarmos a doutrina da salvação somente pela graça é pensar que as obras tornam-se obsoletas, ou seja, que o que se faz ou se deixa de fazer (sejam obras de santidade, caridade etc.) já não tem importância alguma diante de Deus. Tal pensamento não está correto. Basta continuar a leitura de Efésios 2 que citamos. Observe o versículo 10:
Pois somos feitura dele, criados em Cristo Jesus para boas obras, as quais Deus de antemão preparou para que andássemos nelas. (ARA)
Fica claro, portanto, no próprio texto áureo da salvação pela graça, que as obras são tão importantes para Deus que Ele as preparou para nós, antes mesmo de o conhecermos, para que as praticássemos. Tiago será mais enfático ao afirmar que uma fé sem obras é uma fé morta e que tal fé não é salvífica (Tg 2: 14-26). No que toca à santificação, aquele que foi salvo pela graça mediante a fé será necessariamente inclinado, pela nova vida que recebeu em Cristo, à se separar da corrupção deste mundo e a ser obediente aos mandamentos do Senhor. Dito de outra maneira, uma vez que o pecador foi justificado é conduzido necessariamente à santificação.
Pois somos feitura dele, criados em Cristo Jesus para boas obras, as quais Deus de antemão preparou para que andássemos nelas. (ARA)
Fica claro, portanto, no próprio texto áureo da salvação pela graça, que as obras são tão importantes para Deus que Ele as preparou para nós, antes mesmo de o conhecermos, para que as praticássemos. Tiago será mais enfático ao afirmar que uma fé sem obras é uma fé morta e que tal fé não é salvífica (Tg 2: 14-26). No que toca à santificação, aquele que foi salvo pela graça mediante a fé será necessariamente inclinado, pela nova vida que recebeu em Cristo, à se separar da corrupção deste mundo e a ser obediente aos mandamentos do Senhor. Dito de outra maneira, uma vez que o pecador foi justificado é conduzido necessariamente à santificação.
A segunda parte da questão é propriamente a interpretação de Hb 12:14.
Alguns cristãos, no bom intuito de fugir da interpretação "legalista", têm sugerido que a passagem citada deve ser entendida em termos do testemunho que o crente deve dar com sua vida às pessoas que o cercam. Dessa maneira, o versículo poderia ser lido assim: "Segui a paz com todos e a santificação, pois sem ela os outros não verão a Deus [em vocês/através de vocês]". Penso que é uma alternativa que emite uma verdade bíblica, mas não me parece ser o que o autor quis dizer no texto em questão. Diante do contexto da carta aos Hebreus, do contexto do capítulo 12 e do que Jesus mesmo disse - "Bem aventurado os limpos de coração, porque eles verão a Deus" (Mt 5:8) - essa saída interpretativa se mostra sofisticada demais - ao menos em meu entendimento.
A carta aos Hebreus como um todo é, em suma, uma "palavra de exortação" (Hb 13:22), ou seja uma palavra de encorajamento, recheada com advertências, enviada à cristãos convertidos do judaísmo e que agora, devido a tribulações e perseguições, revelavam-se fracos na fé e inclinados à apostasia. De modo geral, o autor demonstra enfaticamente o quão superior é a nova aliança em Cristo Jesus em comparação a antiga aliança que Deus estabeleceu através de Moisés.
No capítulo 12 a carta já se aproxima do final e começa apontado para Cristo como o maior exemplo de perseverança no qual esses cristãos deveriam se apoiar. A partir do versículo 5 o autor introduz o tema da disciplina paterna de Deus para com seus filhos e esse ponto é crucial para o entendimento de Hb 12:14. Esses cristãos deveriam encarar os sofrimentos pelos quais estavam passando como instrumento disciplinador, como o meio pelo qual Deus Pai estava os corrigindo e isso era uma demonstração do amor de Deus por eles. Os versículos 10 e 11 são essenciais para o nosso entendimento do versículo 14:
Alguns cristãos, no bom intuito de fugir da interpretação "legalista", têm sugerido que a passagem citada deve ser entendida em termos do testemunho que o crente deve dar com sua vida às pessoas que o cercam. Dessa maneira, o versículo poderia ser lido assim: "Segui a paz com todos e a santificação, pois sem ela os outros não verão a Deus [em vocês/através de vocês]". Penso que é uma alternativa que emite uma verdade bíblica, mas não me parece ser o que o autor quis dizer no texto em questão. Diante do contexto da carta aos Hebreus, do contexto do capítulo 12 e do que Jesus mesmo disse - "Bem aventurado os limpos de coração, porque eles verão a Deus" (Mt 5:8) - essa saída interpretativa se mostra sofisticada demais - ao menos em meu entendimento.
A carta aos Hebreus como um todo é, em suma, uma "palavra de exortação" (Hb 13:22), ou seja uma palavra de encorajamento, recheada com advertências, enviada à cristãos convertidos do judaísmo e que agora, devido a tribulações e perseguições, revelavam-se fracos na fé e inclinados à apostasia. De modo geral, o autor demonstra enfaticamente o quão superior é a nova aliança em Cristo Jesus em comparação a antiga aliança que Deus estabeleceu através de Moisés.
No capítulo 12 a carta já se aproxima do final e começa apontado para Cristo como o maior exemplo de perseverança no qual esses cristãos deveriam se apoiar. A partir do versículo 5 o autor introduz o tema da disciplina paterna de Deus para com seus filhos e esse ponto é crucial para o entendimento de Hb 12:14. Esses cristãos deveriam encarar os sofrimentos pelos quais estavam passando como instrumento disciplinador, como o meio pelo qual Deus Pai estava os corrigindo e isso era uma demonstração do amor de Deus por eles. Os versículos 10 e 11 são essenciais para o nosso entendimento do versículo 14:
Porque aqueles, na verdade, por
um pouco de tempo, nos corrigiam como bem lhes parecia; mas este,
para nosso proveito, para sermos participantes da sua santidade. E,
na verdade, toda a correção, ao presente, não parece ser de gozo,
senão de tristeza, mas depois produz um fruto pacífico de justiça
nos exercitados por ela. (Hb 12:10, 11) [NVI].
Dotados dessa perspectiva e entendimento esses crentes estariam capacitados a superar todo desanimo e prontos para fortalecer os demais abatidos da congregação (Hb 12: 12 e 13). O versículo 14 não pode ser interpretado desconectado desse contexto. O tema da santificação já aparece no versículo 10. Santificação é isso: o processo pelo qual Deus nos torna participantes da sua santidade. Portanto, "Segui... a santificação..." é nos submetermos a esse processo, um processo de aperfeiçoamento dirigido pelo nosso Pai amoroso.
Porém a grande questão é o que vem a seguir: "sem a qual ninguém verá o Senhor". Para tratar disso permita-me fazer uma ilustração:
Suponhamos que, por algum motivo, Maria necessite estar em Londres amanhã e é uma questão de vida ou morte. No entanto, ela não possui os recursos necessários para o deslocamento. Um amigo conhecedor da sua situação se compadece e lhe compra uma passagem de avião. Ele, no entanto, a avisa que seu avião fará uma escala em Portugal e lhe esclarece que não havia nenhum voo que fizesse uma conexão direta do Brasil para a Inglaterra. Maria, por fim, chega em Londres agradecida pela bondade de seu amigo.
Agora eu pergunto: o que garantiu a chegada de Maria a Londres foi a escala em Portugal? Obviamente que não! A passagem comprada por seu amigo era sua garantia. Foi o ato compassivo de seu amigo e nenhum mérito seu.
Toda ilustração é falha em algum nível quando se trata de explicar as coisas espirituais, porém ela nos ajuda a entender que a santificação é uma escala/etapa necessária na jornada do cristão até que ele chegue à presença de Deus em perfeita unidade no Reino dos Céus. Não se trata do crente ter que conquistar ou merecer a sua salvação, pois foi Cristo quem se ofereceu como oferta pelos nossos pecados e assim Deus "[…] nos tirou da potestade
das trevas, e nos transportou para o reino do Filho do seu amor"
(Cl 1:13). Cristo é toda a nossa garantia e é uma garantia suficiente e perfeita.
Encontramos uma relação parecida em Atos 14:22 onde se diz: "fortalecendo a alma dos discípulos, exortando-os a permanecer firmes na fé; e mostrando que , através de muitas tribulações, nos importa entrar no Reino de Deus". Não é difícil perceber que não está sendo dada às "muitas tribulações" o papel de nos salvar em qualquer medida que seja, mas o que se ensina é que elas fazem parte da vida cristã até que nossa entrada no Reino se cumpra integralmente, afinal "como é estreita a porta, e apertado o caminho que leva à vida! São poucos os que a encontram" (Mt 7:14).
Como disse C.H. Spurgeon: "a santidade não é o caminho para Cristo; Cristo é o caminho para santidade".
Encontramos uma relação parecida em Atos 14:22 onde se diz: "fortalecendo a alma dos discípulos, exortando-os a permanecer firmes na fé; e mostrando que , através de muitas tribulações, nos importa entrar no Reino de Deus". Não é difícil perceber que não está sendo dada às "muitas tribulações" o papel de nos salvar em qualquer medida que seja, mas o que se ensina é que elas fazem parte da vida cristã até que nossa entrada no Reino se cumpra integralmente, afinal "como é estreita a porta, e apertado o caminho que leva à vida! São poucos os que a encontram" (Mt 7:14).
Do que se trata então a
santificação? É um processo inevitável no caminho daquele que foi
salvo pela graça somente, através da fé somente. E isso por quê?
"Porque esta é a vontade de Deus, a vossa santificação;"
(1ª Ts 4:3a). Há uma destinação estabelecida previamente por Deus
para que aqueles que estão em Cristo tornem-se semelhantes a Ele,
"pois aqueles que de antemão conheceu, também os predestinou
para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o
primogênito entre muitos irmãos" (Rm 8:29).
Como disse C.H. Spurgeon: "a santidade não é o caminho para Cristo; Cristo é o caminho para santidade".