segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

"Fé" Demais Não Cheira Bem (Movimento da Confissão Positiva) - PARTE I

"E também houve entre o povo falsos profetas, como entre vós haverá também falsos doutores, que introduzirão encobertamente heresias de perdição, e negarão o Senhor que os resgatou, trazendo sobre si mesmos repentina perdição. E muitos seguirão as suas dissoluções, pelos quais será blasfemado o caminho da verdade. E por avareza farão de vós negócio com palavras fingidas; sobre os quais já de largo tempo não será tardia a sentença, e a sua perdição não dormita". (II Pedro 2: 1-3)

Este é o primeiro texto de uma série que analisará biblicamente o movimento da confissão positiva. A importância de tratarmos desse assunto é que diferente das religiões e seitas - que muitas vezes apresentam ensinos e práticas relativamente distantes da realidade cristã evangélica - o movimento da confissão positiva está muito mais próximo. Seja por meio de programas de televisão, rádio, livros, cursos ministeriais, igrejas e pregadores, as doutrinas desse movimento já influenciaram bastante o evangelicalismo brasileiro, de modo que provavelmente a maioria dos evangélicos já foram expostos a elas.

Material considerável já foi escrito a respeito das perigosas distorções desse movimento, mas a falta de leitura bíblica e extrabíblica reinante no meio evangélico torna necessário continuarmos popularizando a defesa bíblica a respeito do assunto. No Brasil destaca-se o papel do estudioso e pastor pentecostal Paulo Romeiro, autor do livro Supercrentes. No entanto, o conteúdo apresentado aqui baseia-se no livro de Hank Hanegraaff, publicado no Brasil pela CPAD. No livro, o movimento da confissão positiva é mais frequentemente denominado de movimento da Fé, por isso desde já considere-se as duas nomenclaturas equivalentes. 

Talvez você não esteja certo sobre o que estamos falando quando nos referimos ao movimento da confissão positiva, então essa primeira parte servirá para você conhecer do que se trata e provavelmente perceber o quão familiar é esse assunto. Isso faremos através de uma história com um final muito triste, mas que cumpre bem o papel introdutório a que nos propomos. [Caso você seja adepto desse movimento ou faça parte de uma igreja que segue suas doutrinas, peço que não descarte a leitura dessa série de forma precipitada. Acompanhe o nosso trabalho, ore a Deus e examine pela Bíblia - certamente será um exercício edificante para você seja qual for a conclusão que você alcançar].

Segue abaixo o relato: 

Larry e Lucky Parker pensaram que conheciam o caminho para o 'hall da fama' da Fé. Eles tinham ouvido a mensagem da Fé durante anos. Conheciam praticamente de cor as fórmulas da Fé. Mas, naquela ocasião, quando um vendedor da Fé passou pela cidade, eles engoliram veneno espiritual além do que podiam suportar. E foram carregados na direção errada, por uma rua de mão única no que concerne à fé. Sua trágica narrativa foi corajosamente publicada em 1980, pela Harvest House. O livro deles, intitulado We Let Our Son Die ('Nós Deixamos Nosso Filho Morrer'), conta os trágicos detalhes duma mal orientada viagem de fé. Valendo-se de detalhes sutis e dolorosos, Larry e sua esposa pintaram o quadro de como suspenderam as aplicações de insulina no filho diabético. Conforme era de se imaginar, Wesley entrou em estado de coma.

Os Parkers, advertidos de quão impróprio era ceder a uma 'confissão negativa', continuaram a fazer uma 'confissão positiva' da cura de Wesley, até a hora de sua morte. E, mesmo depois da morte do garoto, os Parkers, não desanimando em sua 'fé', efetuaram um culto de ressurreição, em vez do serviço fúnebre exigido pela circunstância. De fato, por quase um ano após a fatídica morte, eles se recusaram a abandonar sua fé apegando-se a ela com todas as forças -, achando que Wesley, à semelhança de Jesus, haveria de ressuscitar dos mortos. Finalmente, tanto Larry quando Lucky foram levados a julgamento e condenados por homicídio e abuso contra uma criança 

"Um relato trágico? O mais trágico é que incontáveis histórias como essa poderiam ser contadas com a mesma carga de dor e sofrimento. Em cada caso desses a moral é sempre a mesma: um conceito distorcido da fé sempre leva ao naufrágio e à morte - algumas vezes no sentido espiritual, outras no físico e ainda em outros"².

Conceito distorcido de fé, doutrinas que divinizam o homem e rebaixam a Deus e Cristo, distorções sobre a redenção, falsos ensinos a respeito de prosperidade e da relação do crente com o sofrimento - são exemplos das áreas onde os adeptos do movimento da Fé têm promovido sérios erros, e muitas vezes heresias, cujas consequências têm sido desastrosas para a saúde da Igreja do Senhor.

CONTINUA...
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1. HANEGRAAFF, Hank. Cristianismo em Crise. 1996, CPAD. 6ª impressão (2013), pp. 67, 68.

2. HANEGRAAFF, Hank. Cristianismo em Crise. 1996, CPAD. 6ª impressão (2013), p. 68.  

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